Parece que você não possui a versão mais recente do Flash Player

Governança Empresarial Familiar

Muitas vezes a família empresta seu ‘sobrenome’ à empresa

É muito comum, principalmente num passado recente e com fortes reflexos na atualidade, as empresas adotarem razões sociais que remetem ao sobrenome da família empresária

É muito comum, principalmente num passado recente e com fortes reflexos na atualidade, as empresas adotarem razões sociais que remetem ao sobrenome da família empresária. Voltando ‘aos tempos’ em que um ‘fio do bigode’ valia mais que um papel escrito, o sobrenome comum entre a empresa e a família empresária, significava emblematicamente um importante aval aos produtos e serviços prestados por esta empresa familiar.  Ou seja, a família estaria ‘passando um atestado público e notório’ de comprometimento no que se refere ao adequado atendimento a seus clientes. De outro lado, a família estava, como prova deste comprometimento,  e em primeira instância, pondo o seu sobrenome em risco.

Como muitas vezes, inclusive, o negócio familiar iniciava-se junto à casa da família ou num terreno vizinho, a empresa com o sobrenome da família parecia embutir uma inevitável simbiose confusa entre família, patrimônio e gestão, o que podia, com frequência, dificultar a adoção dos modernos preceitos da governança na gestão de uma empresa familiar.

Esta proximidade física, relacional e emocional entre os três subsistemas (família, empresa e gestão), que se interseccionam nas empresas familiares, pode, sim, eventualmente, abalar o que se chama de ‘princípios básicos’ ou ‘pilares’ da governança, a seguir relacionados:

ü Transparência, que consiste no desejo de disponibilizar, para todas as partes interessadas, as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos, não se restringindo, portanto, ao desempenho econômico-financeiro, mas, contemplando, também, os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da empresa

ü Equidade, caracterizando-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas

ü Prestação de Contas (Accountability), em que os gestores devem prestar contas de sua atuação, de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papeis.

ü Responsabilidade Corporativa, em que os gestores  devem zelar pela viabilidade econômico-financeira da empresa, reduzindo as externalidades negativas do negócio e aumentar as positivas, levando em consideração, no modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazos

Em resumo, a ‘governança’, definida de forma bem simples, nada mais é que um ‘modelo de gestão que respeita todos os envolvidos no negócio’, quer sejam membros da família sócia, quer sejam fornecedores, clientes, colaboradores, comunidade e meio ambiente, entre outros, ‘levando à lona’ a insistência, durante muito tempo, das teorias da administração, segundo as quais as empresas familiares seriam sempre guiadas pela intuição e imediatismo e marcadas pelo paternalismo e nepotismo.

Efetivamente, pela proximidade casa (família)-empresa (patrimônio) e, muitas vezes, pelo ‘sobrenome’ compartilhado, a empresa familiar precisa se profissionalizar desde quando ainda bem pequena, para blindar-se contra protecionismos emocionais a familiares que atuam na direção (gestão) da empresa. O que deve valer, sempre, para o aceite da entrada de um familiar na gestão ou operação da empresa é a sua competência, ou seja, o somatário de seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes (atualmente, expressos sob a forma do ideograma C.H.A.). A velha máxima de que ‘patrão bom é aquele que é o primeiro a chegar e o último a sair’ ou que ‘um exemplo vale mais que mil palavras’ ou, ainda, que ‘familiar tem que ser mais-e-melhor que seus colaboradores’, todas elas, contém verdades inquestionáveis (e provocando Nietzsche, quase ‘absolutas’) quanto à desejável conduta de familiares que ingressam na gestão ou na operação da empresa familiar

‘Emoção em casa, razão na empresa’. Esta assertiva resume as posturas desejadas para que uma empresa familiar se desenvolva, unindo as vantagens do convívio íntimo familiar, com a responsabilidade de não manchar o sobrenome em público.

A profissionalização de uma empresa, por menor que esta seja, a partir dos pressupostos da governança, inclui a oficialização de um organograma, em cuja base, se encontram as três grandes áreas que sustentam uma organização com fins lucrativos: a comercial, a de operação e a de administração e finanças. Conectando estas três áreas, de equânime importância, há que se constituir, ainda, no mínimo, um comitê diretivo (também chamada comissão interna) para sugerir, assessorar e apoiar o gestor principal e, por último, um conselho consultivo para funcionar como um ‘guardião externo’ dos interesses do negócio familiar.

Assim, fazendo um paralelo ou uma metáfora sobre a necessidade do correto funcionamento das três áreas pilares da empresa (a comercial, a de operação e a de administração e finanças) com a estabilidade de uma cadeira, é fato que a melhor estabilidade que se tem é quando ela,  a cadeira, tem três pés de boa qualidade e de igual altura, todos eles contribuindo igualmente e em conjunto para a sustentação da cadeira. Nem precisa de um ‘quarto pé’. Ou seja, a empresa familiar, por menor que seja, precisa de uma estrutura profissional mínima, sem a qual ela, a empresa, não sobrevive e, muito menos, se desenvolve e proporciona resultados e orgulho para a família que a ela empresta seu nome e aplica sua pré-disposição, ação, vontade e determinação para deixar um legado.

Enfim, este modelo de gestão profissional, a governança, evita, em primeira instância, a mistura de assuntos da família com assuntos do negócio, reduzindo em muito as fontes de atrito familiares que possam expor, publicamente, a família e a empresa e, adicionalmente, define como os valores e os princípios familiares deverão estar presentes na empresa e de que forma poderá será mantido, a médio e longo prazo, o legado da ‘família empresária’.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/governanca-sucesso-na-empresa-familiar/muitas-vezes-a-familia-empresta-seu-sobrenome-a-empresa

comentários

notícias relacionadas