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Governança Empresarial Familiar

Como uma empresa aprende?

Nas empresas, o conhecimento não está embutido apenas nos documentos, mas, principalmente, na mente de seus colaboradores

Existem dois tipos de conhecimento: o explícito e o tácito. O conhecimento explícito é aquele formal, claro, que está presente e pode ser comunicado por meio de manuais ou documentos. É aquele saber que o colaborador de uma empresa vai buscar, para entender, por exemplo, o funcionamento de uma máquina, num manual de instruções.

O conhecimento tácito, por sua vez, é o adquirido por meio da experiência de cada colaborador, difícil de ser sistematizado e formalizado em normas, regras ou padrões. É o conhecimento que está na cabeça dos colaboradores. É muito complexo sistematizar o conhecimento tácito, a despeito de todos os avanços tecnológicos, pois ele depende de aspectos cognitivos nativos do ser humano.

O constante avanço tecnológico, aliado à farta disponibilidade de acesso a informações, torna o processo de aquisição e geração de conhecimento muito distinto daquele do passado. O chamado conhecimento explícito está disponível em milésimos de segundo a qualquer pessoa, em inúmeros dispositivos e plataformas. Por isso, não faz sentido ancorar o desenrolar de um programa de treinamento e desenvolvimento empresarial, nesse tipo de conhecimento, visto que ele,  autonomamente, pode ser acessível a qualquer colaborador, sem a necessidade de supervisão ou encaminhamento.

O modelo de transmitir, unilateralmente, informações e não gerar e compartilhar conhecimento tácito fazia sentido num contexto de pouca abundância e acesso a fontes de conhecimento. Era necessário deslocar-se para um ambiente predefinido para acessar livros ou um especialista, os quais forneciam informações necessárias à formação do saber. A nova filosofia de aprendizagem, nas empresas, se dedica a preparar as pessoas para pensar, refletir, desenvolver raciocínio crítico e gerar conexões com base no compartilhamento de conhecimento explícito e, principalmente, tácito. Ou seja, é pura perda de tempo continuar ensinando aquilo que o aprendiz já tem à sua disposição e pode dominar autonomamente.

Enfim, os programas de treinamento e desenvolvimento, em uma empresa, devem se dedicar a compartilhar aquilo a que os colaboradores não têm acesso por si só. Como resultado dessa inovação, emergem conceitos como o learning by doing (aprendendo pelo fazer), learning by failing (aprendendo com as falhas), self management (incentivo à autonomia do aprendiz, que não tem a necessidade de se submeter a regras inflexíveis em seu processo de aprendizagem) e, assim por diante.

O ‘corpo docente’ em uma empresa nunca é formado por professores ou acadêmicos, e, sim, sempre, por uma mescla de experts profissionais, executivos seniores e experientes líderes de equipes, que  disponibilizam seu tempo e energia para compartilhar seu conhecimento prático com os mais inexperientes.

Logicamente, contudo, o conhecimento teórico-acadêmico não é de menor valia numa empresa e, por isso, nunca pode ser subjugado, pois, muitas vezes, o pensamento disruptivo (aquele que quebra as barreiras da mesmice, do lugar comum, e que traz à mente algo inovador, diferente do que todos estão fazendo até então) depende, essencialmente, de bases teóricas para a formação dos fundamentos de um novo modelo de processo (do in put ao out put). Esta assertiva, além de universal a todo conhecimento técnico, comportamental e gerencial, é inteligente, pois o corpo teórico sempre é base para um novo saber, não só utilizando o repertório e a experiência de quem aprende, como, também, catapultando a formação de um conhecimento único, novo, diferenciado e apto a lidar com a complexidade de ambientes sem respostas prontas. Desta forma, se tem um poderoso meio para gerar conexões valiosas, e não um fim em si mesmo, tal como confina o modelo de ensino puramente acadêmico.

Em suma, o novo paradigma de aprendizagem das empresas deve estar na preparação de pessoas para construir conexões, com base, também, em seu repertório pessoal, único, ímpar e, por isso, inimitável.

Isto é, na atualidade extremamente complexa em que as empresas se encontram, só com a sua adaptação continua às necessidades e às novas situações, elas conseguem sobreviver e prosperar, razão pela qual, o foco na qualidade e no melhoramento contínuo, baseado nas ‘lições de experiência’, são pontos primordiais desta nova empresa, uma ‘organização que aprende’.

Enfim, na empresa ‘que aprende’, os colaboradores são estimulados, continuamente, a expandir a sua capacidade criativa e a obter os resultados que realmente os satisfaçam.  Nela, há uma nova maneira de pensar dos colaboradores, levando-os a um pensamento sistêmico e abrangente, interligando as partes ao todo organizacional, ou seja, com todos os colaboradores transmitindo seus conhecimentos ao grupo e, também, aprendendo com ele. 

Emílio Da Silva Neto

Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3

Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf

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Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante  e Professor

Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’

(especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão,

Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos de Família)

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[email protected]

47 9 9977 9595

 

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/governanca-sucesso-na-empresa-familiar/como-uma-empresa-aprende

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