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Excelência no Trabalho

A produtividade nas empresas familiares

Em recente pesquisa feita na Grã-Bretanha, evidenciou-se que empresas familiares são menos produtivas do que as demais, o que trouxe especial preocupação ao novo Ministro britânico das Finanças, Philip Hammond

A empresa Hall & Woodhouse produz cerveja desde 1777. O seu fundador, Charles Hall, fez fortuna durante as guerras napoleônicas, vendendo cerveja para as tropas acampadas nas proximidades de Weymouth, prontas para repelir os franceses. Hoje, a sétima geração dirige o negócio e a família ainda possui quase todas as ações. É um exemplo comum da estrutura dominante de negócios na Grã-Bretanha moderna, onde mais de dois terços das empresas são familiares.

A Hall & Woodhouse é um exemplo do que o ministro das Finanças, Philip Hammond, gostaria que as outras empresas fossem. Negocia com base em sua herança (marca e tradição), mas permanece inovadora. Com um volume anual de vendas de £ 100 milhões (R$ 440 milhões), acabou de gastar £ 20 milhões (R$ 88 milhões) em uma nova fábrica para produzir mais da cerveja Badger. “Nós sempre fazemos novas experiências”, diz o diretor executivo, Anthony Woodhouse, como, por exemplo, no verão de 2017, quando foi lançada uma série de sorvetes para cães, vendidos em seus pubs e, assim, faturaram mais com sorvetes para cães do que para pessoas.

A Grã-Bretanha, como muitos países do ocidente, é muito sentimental em relação às famílias, fazendo com que as análises econômicas de empresas familiares sejam pouco técnicas. Há evidências, contudo, que elas tendem a ter um pior desempenho, quando comparadas às empresas com propriedade e gestão não familiares

Uma pesquisa da indústria de manufatura, feita pelo Escritório de Estatísticas Nacionais, mostrou que as empresas de propriedade e administradas por famíliares são cerca de 19% menos produtivas do que as outras. As empresas familiares com gerenciamento não familiar saem-se melhor, mas, ainda assim, ficam atrás das outras.

Um dos motivos dessa menor produtividade é que as empresas familiares valorizam a estabilidade e a possibilidade de passar o negócio para a próxima geração, em detrimento da inovação.

Mike Wright, professor de empreendedorismo no Imperial College de Londres, diz que os orçamentos de pesquisa e desenvolvimento em empresas familiares são menores do que nas outras e que elas são mais avessas ao risco. Os negócios familiares geralmente se dedicam à melhoria de produtos existentes e, segundo uma pesquisa,   86% deles nunca pediram um registro de patente.

A gestão deficitária é característica das empresas familiares. Na Grã-Bretanha, apenas 37% dos gerentes delas têm diplomas, enquanto a porcentagem chega a 48% quando a participação é não familiar. Na Alemanha, esses porcentuais são de 49% e 70%, respectivamente.

Por falar em Alemanha, lá a gestão é mais estruturada, profissional e ambiciosa, o que explica o sucesso das pequenas e médias empresas (as chamadas Mittelstand) alemãs, onde dois terços da potência econômica do país vêm das propriedades familiares. As Mittelstand representam 23% das exportações da União Europeia para outros países, um volume muito maior que os 10% das pequenas e médias empresas britânicas.

Muitas empresas familiares britâncias financiam suas atividades exclusivamente através de fluxo de caixa, raramente assumindo dívidas, o que ajuda o negócio a sobreviver, durante períodos difíceis, mas limita a capacidade de expansão durante épocas de grande crescimento. Muitas vezes, inclusive, o empresário reluta em assumir investimentos externos, porque isso dilui a propriedade da família.

Por outro lado, poucas famílias emitem ações de suas empresas, preferindo ‘manter a empresa em casa’.

Enfim, ainda impera em muitas empresas familiares a ‘visão pequena’, limitada aos ‘muros familiares’, algo bem diferente do que é exposto no livro Sonho Grande, de Cristiane Correa, que conta a história de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sucupira.

O pai de Jorge Paulo Lemann, abandonou a Suíça para se estabelecer no Brasil e, depois de alguns anos, abriu uma fábrica de laticínios (a Leco), seguindo a tradição familiar, sendo vendida, posteriormente para o irmão do fundador do Unibanco.

Jorge Lemann teve uma ótima educação no Brasil (na escola Americana do Rio de Janeiro) e nos Estados Unidos (Harvard). Recém formado, iniciou suas atividades no mercado de capitais, o qual lhe proporcionou grande experiência

Posteriormente, criou o Banco Garantia, onde juntamente com Beto Sucupira e Marcel Telles, foi aplicada a cultura baseada na meritocracia: os melhores funcionários deveriam ser recompensados e os piores deveriam ser dispensados, abrindo espaço para a contratação de pessoas que eram compatíveis com essa filosofia. O mesmo se deu, em seguida, com as Lojas Americanas, a Imbev e outros empreendimentos ícones de alcance mundial.

Tudo isso, quase ‘inimaginável’ se numa empresa sob gestão de familiares, onde as relações pessoais são intensas (íntimas) e, assim, carregadas de emoção (propósito), mas rarefeitas de razão (profissionalismo). E, por consequência, com ‘penalização’ sob a forma de menor ‘produtividade’ (resultados, crescimento, desenvolvimento tecnológico, etc.).

Emílio Da Silva Neto

Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3

Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf

Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante e Professor

Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’

(especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão,

Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos de Família)

emiliodsneto@gmail.com

47 9 9977 9595

 

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/governanca-sucesso-na-empresa-familiar/a-produtividade-nas-empresas-familiares

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