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Governança Empresarial Familiar

A (des)cultura brasileira do ‘desdém’ aos empresários

O desenvolvimento de um país depende muito do nível de empreendedorismo da sua população

A própria definição do ‘capitalismo’ como sistema econômico, que privilegia a propriedade privada e incentiva o aferimento de lucros, é terreno fértil para que a iniciativa privada enseje a constituição de empresas dos mais diversos ramos. Mesmo sob a ideologia de  Estado intervencionista, é grande a responsabilidade das empresas privadas como agentes-chaves das transformações da sociedade.

O crescimento da empresa privada se deu, sobretudo, a partir da Revolução Industrial, que permitiu avanços quanto à produção, à circulação de riquezas, à repartição de renda, ao consumo e ao trabalho. A urbanização e o crescimento das fábricas, que se observa a partir do fim do século XVIII, contribuíram para o aumento demográfico das cidades, já que famílias inteiras abandonaram os campos em busca de novas oportunidades.

As empresas privadas, locais ou multinacionais, independentemente desses fatores, representam locais de trabalho de incontáveis trabalhadores, geram a circulação de riquezas, moldam os costumes e a cultura, interferindo de forma cabal na vida social das pessoas.

Por esta razão, as empresas privadas não são objeto de estudo apenas da economia. Elas, cada vez mais, são estudadas, também, em outras diversas áreas, incluindo o campo jurídico. Tendo em vista, a importância que as sociedades empresárias possuem atualmente é impossível desvinculá-las do direito, pois cabe a este regular a sociedade. O direito é responsável por acompanhar as mudanças sociais, regendo, da melhor forma possível, os atos dos cidadãos e, tendo as empresas destaque, nada mais certo que estas sejam regulamentadas através de leis.

            Algumas das empresas privadas atingem poder econômico maior do que o de determinadas nações, sobrepujando até o poder econômico público. Por vezes, inclusive, as grandes empresas privadas, funcionando em países de economia fraca, configuram a posição de agente econômico dominante, no qual o governo comparece como força econômica dominada e o poder econômico privado subjuga o poder econômico.

            Disto e, considerando que  a empresa é palco de diversas relações jurídicas, seja entre trabalhadores e proprietários ou entre empresa, mercado e sociedade, todas essas relações devem ser regidas por leis dinâmicas, isto é, atuais, flexíveis e inovadoras, que acompanhem a dinâmica da sociedade, não tolhendo o desenvolvimento econômico.

            Pelos conceitos modernos, empresa privada é um entidade organizada que visa o lucro, produzindo, criando ou fomentando a colocação de bens ou serviços à disposição do maior número possível de pessoas. Ademais, para que seja caracterizada como empresa privada são necessários três elementos, a saber: a) uma série de negócios do mesmo gênero de caráter mercantil; b) o emprego de trabalho ou de capital, ou de ambos combinados; e, c) a assunção do risco próprio da organização.

            Em outras palavras, empresa privada é uma combinação de elementos pessoais e reais que, colocados em função de um resultado econômico, sob a administração do empresário, geram emprego e renda.

            As empresas apresentam como figura central o empresário, aquele que exercita a atividade empresária, sendo o servidor da organização, de categoria mais elevada, à qual imprime o selo de sua liderança, assegurando a eficiência e o sucesso do funcionamento dos fatores organizados. Cabe, exclusivamente ao empresário, escolher os melhores rumos, ou seja, o poder de decisão e iniciativa, correndo contra sua pessoa os riscos da atividade empresarial.

            No que se refere à realidade brasileira, parece permear uma inexplicável lógica, segundo a qual, muitos acham possível haver empregos sem haver empresários, grande parte destes, inclusive, até, sendo objeto de ódio da população. Desde pequenos, muitos brasileiros são ensinados a ver empresas com olhos tortos, a detestar empresários e a achar que são todos um bando de exploradores desalmados e preocupados só com lucro a qualquer custo – sobretudo ao custo de vidas humanas. Já se vão os tempos em que as crianças tinham medo do Lobo Mau e das Bruxas. Nos dias de hoje, mesmo sem saber, muitas crianças são doutrinadas a temer os empresários e suas empresas malévolas.

            Parte considerável das escolas, das universidades, da mídia e da Igreja Católica cumprem este papel de ‘satanização’ de quem empreende, de quem arrisca, de quem gera empregos. Nas novelas, por exemplo, empresários são quase sempre maus. É quase uma doença.

            Há que se mudar esta mentalidade endêmica em nosso país. Não há como querer empregos se os empresários forem olhados com desdém e transformados em proscritos que merecem o desprezo da sociedade.    Muito pelo contrário, há que se incentivar cidadãos a criar empresas e arriscar seu patrimônio, nunca pisoteando justamente nestes que podem criar um ambiente favorável ao crescimento econômico e  desenvolvimento do Brasil.

            Em momentos de crise econômica, como também pela automação de vários setores da economia, essencialmente na indústria,  muitos perdem seus empregos. Não há como reverter esta situação sem uma economia próspera. E isto é impossível se continuar esta ‘cultura do ódio’ aos empresários e empresas.

            Contudo, é claro, que há empresários e empresas corruptas, sem ética, com tráfico de influência, com acordos ilícitos, com pagamento de propinas, com envolvimento em trabalho escravo e sonegação fiscal, entre outros desvios de conduta, estes citados apenas como ponta de iceberg de inúmeros outros.

            A corrupção não é uma exclusividade do Brasil. Sempre foi um câncer na política de todos os países e há muito tempo tem assediado, envolvido, incluido e se espalhado como uma incontrolável metástase pelo setor privado.

            Contudo, há que se lembrar que, desde que ‘o mundo é mundo’,  nunca foi inteligente ‘matar as galinhas’ quando aparecem ovos podres, pois estes, infelizmente,  existem em qualquer galinheiro. Jesus, por exemplo, na parábola narrada em Mateus 13:24-30, nos diz que “um homem semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele e semeou o joio no meio do trigo e retirou-se”.

            Que saibamos, todos juntos, separar o ‘joio’ (com o significado de erva daninha) do ‘trigo’, apoiando aqueles empresários e empresas que se dedicam, de forma saudável e ética, ao desenvolvimento  de pessoas, comunidade e país e denunciando a minoria que denigre a imagem da maioria.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/governanca-sucesso-na-empresa-familiar/a-descultura-brasileira-do-desdem-aos-empresarios

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