Parece que você não possui a versão mais recente do Flash Player

Clássicas da Jaraguá

SCHUBERT: a vida breve de um talento imenso

Quando o talento musical de Franz Schubert (1797-1828) começou a surgir, ele foi encorajado mas não havia ambições mais altas do que ser um professor respeitado como seu pai, que com muito esforço conseguiu comprar a escola onde a família viveu. Suas primeiras lições foram com o pai e o irmão, mas Schubert logo superou os seus professores

Aos 10 anos, tocava piano, órgão, violino e viola.

Ele se tornou um membro do coral da capela da Corte Imperial em Viena, onde começou a compor e tinha entre seus professores Antonio Salieri. “Você pode fazer tudo”, ele anunciou a esse menino tímido, “pois você é um gênio”. Quando sua voz mudou no início da adolescência, ele decidiu sair e voltar para a casa de seu pai para seguir seus passos e se tornar um professor. Um bônus adicional da profissão era que isso significava evitar o serviço militar. Schubert era totalmente inadequado para a tarefa – ele não podia manter a disciplina; tudo o que ele queria fazer era escrever música. E compor era que ele fazia o tempo todo. Provavelmente não houve ninguém na história da música com uma facilidade tão grande para compor como Schubert. São deste período cinco sinfonias, quatro missas, vários quartetos de cordas, música de palco, uma ópera e alguns de seus mais famosos Lieder (somente em 1815 ele compôs nada menos que 140 canções).

Pouco tempo depois ele finalmente abandonou a carreira docente e decidiu se tornar compositor em tempo integral. Fez amizade com os poetas Johann Mayrhofer e Franz von Schober, e foi através deste último que conheceu o grande barítono Johann Vogel, que divulgou muitas das canções de Schubert (ele fez a primeira apresentação de “Erlkönig”). Sua autodisciplina permitiu-lhe produzir uma enorme quantidade de música (ele escreveu tanto em 20 anos quanto Brahms em 50). Suas noites eram dedicadas à música na casas de seus amigos, onde Schubert presidia  encontros que passaram a ser conhecidos como “Schubertíades”. Ao contrário de Beethoven, ele se sentia desconfortável junto aos aristocratas, preferindo o círculo boêmio, intelectual e amante de arte de Viena.

A escassa renda que Schubert recebia era suplementada pelo ensino de música. Ao contrário de Beethoven, Schubert nunca encontrou um patrono rico.

Em 1820 ele havia composto mais de 500 obras abrangendo todos os ramos da composição. No entanto, apenas duas deles tinham sido ouvidas em público. O fracasso e a falta de reconhecimento começaram a incomodá-lo. A pobreza e necessidade da caridade de amigos o deixou cada vez mais desanimado. Adicionado a isso, ele teve que lidar com os efeitos da doença venérea. No meio disso escreveu a famosa Sinfonia Inacabada. A morte de seu ídolo Beethoven em 1827 veio como um golpe terrível para ele. Ainda assim, em meio a sua terrível situação pessoal, algumas das músicas mais divinas já escritas continuaram a fluir – o Quinteto de Cordas, as três últimas grandes sonatas para piano e o ciclo de canções Schwanengesang.

Em 26 de março de 1828, na Musikverein de Viena, foi apresentado pela primeira vez um programa inteiramente dedicado à música de Schubert. O concerto foi organizado por seus amigos, mas, apesar de bem-sucedido, passou totalmente despercebido, não recebendo qualquer menção ou crítica. Menos de oito meses depois, Schubert morreu de tifo, delirante, chamando por Beethoven. Ele tinha 31 anos e foi enterrado perto dele, com o epitáfio “Aqui jaz um tesouro rico e ainda grandes esperanças”. Schubert não deixou absolutamente nada, absolutamente nada – exceto seus manuscritos.

Foi apenas por acaso e pelo empenho de alguns músicos que algumas obras  dele vieram à tona. Em 1838, Schumann visitou o irmão de Schubert e encontrou a grande Sinfonia em Do Maior (a Nona) e insistiu em sua publicação; a Sinfonia Inacabada não foi ouvida até 1865, depois que o manuscrito foi encontrado em um baú. Em 1867 George Grove e o jovem compositor Arthur Sullivan encontraram as sinfonias nº 1,2,3,4 e 6 numa editora de Viena. Mais de um século depois, em 1978, os esboços de uma décima sinfonia foram desenterrados em outro arquivo vienense.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/classicas-da-jaragua/schubert-a-vida-breve-de-um-talento-imenso

comentários

notícias relacionadas