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Clássicas da Jaraguá

Respighi e o retorno da música instrumental na Itália

Ottorino Respighi (1879-1936) integrou a chamada “Geração 1880”, que buscou revitalizar a música italiana inspirando-se no Renascimento e no Barroco

Foi um dos responsáveis por restaurar a tradição sinfônica da Itália, numa época em que compor significava escrever óperas.

Depois de concluir seus estudos com distinção no Conservatório de Bolonha, o jovem compositor foi contratado como violista pelo Teatro Imperial da Rússia em São Petersburgo, e durante esse período estudou orquestração com Rimsky-Korsakov, que influenciou profundamente sua técnica.

A música de Respighi foi inspirada nos cantos medievais, na polifonia renascentista e canções folclóricas.

Embora Respighi fosse decididamente apolítico, sua participação na abertamente fascista Reale Accademia d’Italia era vista como um apoio ao regime de Mussolini, e sua colaboração artística com o poeta nacionalista Gabriele D’Annunzio levou alguns musicólogos a rejeitar sua música como “decorativa, superficial, no qual uma palheta colorida e variada serve a fins puramente hedonistas “.

Da mesma forma os poemas sinfônicos Fontes de Roma (1915-16), Pinheiros de Roma (1923-24) e Festas Romanas (1928) são frequentemente citados como exemplos de “pompa associada à propaganda fascista”, apesar do fato que, de acordo com a esposa do compositor, Elsa, eles foram realmente inspirados por seu caso amoroso com duas irmãs lituanas em 1913. No entanto, o governo italiano certamente promoveu apresentações da música de Respighi numa época em que artistas dissidentes eram banidos de concertos oficiais. Harvey Sachs escreve que Respighi não teve que se insinuar com Mussolini porque “o etnocentrismo de seus poemas populares era exatamente o que o regime precisava para demonstrar que o progresso e o fascismo eram aliados naturais”.

Após a queda do governo de Mussolini em 1943, os sucessivos governos italianos se esforçaram para se distanciar dos artistas nacionalistas, e Respighi foi colocado junto com compositores abertamente fascistas como Pizzetti, Malpiero e Mascagni. Jornais italianos protestaram com as honras concedidas a sua viúva e seus esforços para celebrar o centenário do nascimento de Respighi em 1979 foram bloqueados pela oposição política. Em uma entrevista, Elsa Respighi afirmou que músicos esquerdistas estavam tentando destruir a memória de seu marido, e em 1993 a Sociedade Respighi foi fundada, mas em Londres, com “a intenção de tornar a vida e as obras do marido mais conhecidas e compreendidas… pela disseminação de informações precisas e imparciais”. O caso Respighi lembra muito o patrulhamento ideológico ferrenhamente exercido por setores da cultura brasileira atual.

Respighi fez sua primeira viagem ao Brasil em maio de 1927, na companhia de sua esposa. Empenhado para reger uma série de concertos de sua própria música no Rio de Janeiro, Respighi lutou para formar uma orquestra com músicos habituados apenas a tocar óperas e zarzuelas (uma espécie de opereta espanhola) e, portanto, não acostumados a uma performance puramente instrumental. Apesar das dificuldades  a série de concertos foi um grande sucesso.

Antes de seu retorno à Europa, Respighi anunciou à imprensa brasileira que estava aproveitando a estada para absorver a música e os costumes locais e retornaria no ano seguinte com uma suíte orquestral de cinco partes baseada em suas experiências. Respighi voltou ao Rio de Janeiro em junho de 1928, mas questões mais urgentes pesaram sobre ele e a prometida suíte de cinco movimentos foi apresentada apenas como uma obra de três movimentos intitulada Brazilian Impressions. A obra foi calorosamente recebida pelo público brasileiro.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/classicas-da-jaragua/respighi-e-o-retorno-da-musica-instrumental-na-italia

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