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Clássicas da Jaraguá

RACHMANINOFF: o último romântico

Sergei Rachmaninoff foi o pianista mais famoso da primeira metade do século 20. É considerado um romântico tardio pois este período da história da música, o romantismo, tinha se encerrado no início do século 20 e ele continuou compondo até o final da sua vida em 1943

                Rachmaninoff nasceu numa cidade próxima a Moscou em 1873. Seu pai era do exército e casou com uma jovem alemã de família rica. Torrou toda a fortuna da esposa com jogos e bebidas.

                Em 1883, aos 10 anos de idade, recebeu uma bolsa para estudar piano no conservatório de São Petesburgo. Essa escola fica próxima ao famoso Teatro Mariinsky. Neste local ocorreram as estreia do balé Lago dos Cisnes e da opera Borus Godunov.  Rachmaninoff sentiu ali que seu destino era se tornar compositor.

                Teve uma formação acadêmica bastante sólida. Seu primeiro professor Alexander Siloti lhe dava peças dificílimas para aprender e ele com a maior facilidade as decorava durante a noite.

                Aos 18 anos compôs seu primeiro concerto para piano.

                Tchaikovsky gostou muito da sua 1ª opera Aleko.  Segundo palavras do próprio Rachmaninoff: Tchaikovsky ouvia a mim, apenas um iniciante, como a um igual. Os dois compositores tinham muito em comum. Ambos representavam a melancolia russa expressa nas formas alemãs.

Seu Segundo concerto para piano é uma das peças mais brilhantes do gênero.

Sua música para piano era feita sob medida para sua espetacular habilidade. Ela é extremamente difícil, demanda mãos com capacidade de grande abertura. Apresenta um tremendo virtuosismo sem cair nas pirotecnias de Liszt, outro grande pianista/compositor.

Sua reputação como regente era boa e várias orquestras americanas lhe fizeram propostas de trabalho, mas ele decidiu se concentrar no piano.

Rachmaninoff é tão popular hoje quanto sempre foi. Sua música pode não ser muito estimada pelos críticos, mas teimosamente se recusa a desaparecer. Os pianistas adoram tocar seus concertos e o público ouvir.

Uma crítica hoje muito engraçada foi a escrita por Cesar Cui, outro compositor russo da época: se existisse um conservatório de música no inferno e um de seus alunos mais talentosos tivesse composto uma sinfonia baseada nas sete pragas do Egito, teria escrito uma obra parecida com a de Rachmaninoff o que certamente iria deleitar os moradores do inferno.

O Concerto para piano nº 3 em Re menor, Op. 30,  estreou em 28 de novembro de 1909, na cidade de Nova York com o compositor como solista. Foi o primeiro de muitos triunfos americanos para Rachmaninoff, que acabaria por se estabelecer nos Estados Unidos.

Em 1909, alguns anos depois de sua carreira composicional paralisada ter sido revivida pela estréia bem sucedida de seu Concerto para piano nº 2, Rachmaninoff lançou sua primeira turnê de concertos nos Estados Unidos. A jornada foi realizada muito contra a sua vontade. Três meses de aparições quase diárias, tanto como solistas como maestro, não o empolgaram nem um pouco pois não teria tempo para compor. Além disso, ele seria privado do tempo de silêncio na sua propriedade rural com sua esposa e filhos pequenos. No entanto, como acontece hoje em dia, na música clássica como na música popular, a melhor maneira de promover a música é tocar em público, e no início de outubro de 1909, Rachmaninoff embarcou no navio para atravessar o Atlântico. Embalado em sua bagagem foi o manuscrito para um novo concerto, completado na semana anterior. Durante a viagem, Rachmaninoff teve tempo de praticar a parte solo.

A estréia ocorreu em 28 de novembro de 1909, com Rachmaninoff como solista da Orquestra Sinfônica de Nova York e o maestro Walter Damrosch. Algumas semanas depois, seria mais uma vez ouvido em Nova York, desta vez com a Filarmônica de Nova York, conduzida por ninguém menos do que Gustav Mahler. Esses dois conjuntos competiam entre si por um lugar como a melhor orquestra da cidade até que, em 1928, finalmente se fundem sob o nome da Filarmônica.

Da peça nova, os críticos de música de Nova York tinham muito a dizer. O crítico do New York Herald declarou que era um dos “concertos para piano mais interessantes dos últimos anos”, enquanto o escritor do New York Tribune elogiou o trabalho por sua “dignidade e beleza essenciais”. Ambos os críticos, no entanto, criticaram a duração da obra e sugeriram que o Rachmaninoff deveria diminuí-la. Rachmaninoff de fato realizou algumas pequenas revisões mas a duração permaneceu praticamente a mesma. Talvez ele sentisse, como Mozart comentou uma vez sobre sua própria música, que tinha exatamente tantas notas quanto eram necessárias.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/classicas-da-jaragua/rachmaninoff-o-ultimo-romantico

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