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Clássicas da Jaraguá

O índio em Hollywood

Em 1958 Villa-Lobos foi contratado pelo estúdio MGM para escrever sua primeira trilha sonora. O filme Green Mansions se passava na floresta Amazônica e parecia muito natural escolher o mais importante compositor brasileiro para a tarefa

O problema é que Villa-Lobos não tinha a menor ideia do processo de criação de música para cinema. Geralmente os compositores esperavam o filme ficar pronto para verificar em quais momentos seria necessária a música e compunham tendo em mente a duração exata da cena. Tudo muito cronometrado.

Villa chegou a ser alertado sobre isto, mas como sempre não estava disposto a aprender nada com ninguém e ignorou solenemente as sugestões dos colegas. Passou a compor tendo por inspiração apenas o livro que deu origem ao filme. Trabalho pronto, Villa enviou as partituras ao estúdio. Na época cada estúdio tinha uma grande orquestra para gravar as trilhas sonoras.

Miklos Rozsa, o principal compositor do estúdio, ainda tentou explicar como as coisas funcionavam. Em seu livro de memórias, Rózsa conta: ‘Ele (Villa-Lobos) chegou com a música pronta, dizendo que só ia ver o filme no dia seguinte (…). Aparentemente, ninguém se deu ao trabalho de explicar-lhe as técnicas básicas da música do cinema. ‘Mas maestro’, perguntei-lhe, ‘o que acontece se a música não sincronizar com o filme?’ Villa-Lobos, é claro, falava como se para um completo idiota: ‘Nesse caso, é óbvio, eles terão de ajustar o filme à música’.

Como era de se esperar a música apesar de deslumbrante não encaixava no filme. A MGM pediu para Villa fazer adequações à obra mas este se recusou. No final o estúdio solicitou ao seu compositor de plantão Bronislau Kaper que adaptasse a partitura de Villa-Lobos para as necessidades do filme. Nesse processo acabou compondo muita música nova e o resultado final tem apenas vestígios da música original.

Depois de tanta confusão a MGM acenou com a bandeira branca e bancou a gravação da Suíte Floresta do Amazonas, baseada no material escrito por Villa-Lobos e regida pelo próprio compositor.

A orquestra escolhida foi a Symphony o f the Air, sucessora da antiga Sinfônica da NBC que foi criada em 1937 para o maestro Arturo Toscanini e dissolvida em 1954 logo após sua aposentadoria.

O compositor fez questão que os solos fossem executados pela soprano brasileira Bidu Sayão. Sayão tinha se aposentado recentemente e estava um pouco receosa. No final, não conseguiu recusar o convite do velho amigo e fez muito bem pois o resultado final é incrível.

Villa faleceu poucos meses depois e a Suíte Floresta do Amazonas foi sua última grande obra.

Fonte: http://www.jaraguaam.com.br/blogs/classicas-da-jaragua/o-indio-em-hollywood

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